Abstract & Overview
Heloísa liberalli bellottoÀs indagações, tão presentes a instituições como a pessoas físicas, a respeito do que preservar, do que não preservar, do como e do porquê das escolhas pelo sim ou pelo não relativamente à guarda a largo prazo dos artefatos produzidos no decorrer de suas vidas e atividades, artefatos estes que são provas e testemunhos de suas origens e atuações, a estas indagações a presente obra de Ana Maria Camargo e Silvana Goulart é, certamente, uma rica resposta, clara e objetiva.Fortemente calcado na larga experiência das autoras no campo dos acervos documentais, tanto institucionais quanto pessoais, o texto de Centros de memória apresenta cinco capítulos que são, de certa forma, independentes entre si, mas que acabam por desenhar um quadro bastante completo da identificação e justificativa da presença de tais centros nos meios os mais diversos: desde os corporativos até os artísticos, os culturais e os institucionais de variada ordem.Tal quadro acaba por levar o leitor a compreender a legitimidade e a utilidade desses centros, podendo ele contar ainda com a bibliografia bastante atualizada e precisa que acompanha cada capítulo.Para acabar de vez com a falsa ideia, infelizmente ainda tão arraigada entre nós, de que esses centros são "entidades supérfluas, onerosas e condenadas à vida efêmera" (p.14), Camargo e Goulart explicam onde residem o benefício e a vantagem daqueles "acervos heterogêneos", plenos de "coisas desconexas", outrora tão pouco compreendidos e pouco aceitos, sobretudo pelos altos comandos dos meios empresariais.