Abstract & Overview
Este artigo tem dois objetivos: o primeiro é demonstrar que o chamado “desastre” associado à subsidência do solo em Maceió deve ser compreendido como um fenômeno tecnocientífico, e não como ocorrência meramente “natural”, e o segundo é evidenciar os arranjos institucionais de blindagem da responsabilização da mineradora Braskem. Dialogamos com os Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (ESCT), tomando a coprodução como chave para analisar a fabricação dos riscos oficiais e seus efeitos sobre a responsabilização da empresa. Metodologicamente, o estudo se apoia em pesquisa realizada entre 2022 e 2024, combinando análise documental e pesquisa empírica nas áreas situadas nas bordas do mapa de risco no bairro Bebedouro, observação direta em eventos e entrevistas com lideranças e moradores(as). Como resultado, descrevemos um alinhamento estrutural entre a ciência mobilizada pela empresa e pelos acordos extrajudiciais, que deslocam a responsabilidade da Braskem de causadora do dano para a gestão dos mesmos, situando-os em um enquadramento tecnicista e esvaziado de elementos sociais